Europa reage às ameaças de Trump sobre Groenlândia; disputa territorial entre países da Otan coloca aliança em risco
06/01/2026
(Foto: Reprodução) Estados Unidos ameaçam usar força militar para anexar Groenlândia
As atenções do planeta se voltam para a Groenlândia, porque os Estados Unidos elevaram nesta terça-feira (6) o tom das ameaças contra o território da Dinamarca, que fica na região do Ártico.
Em uma entrevista à rede de TV americana CNN, na noite de segunda-feira (5), o assessor de Donald Trump, Stephen Miller, disse que a Groenlândia deveria fazer parte dos Estados Unidos, e que ninguém vai lutar contra os Estados Unidos por causa do território. E questionou o direito da Dinamarca de controlar a ilha.
Nesta terça-feira (6), em resposta a um questionamento da agência de notícias Reuters, a Casa Branca declarou em nota que o presidente Donald Trump já deixou claro que a Groenlândia é uma prioridade de segurança nacional. E que a Groenlândia é vital para conter os adversários dos Estados Unidos na região do Ártico.
Miller afirmou que o presidente Donald Trump e o integrantes do governo estão discutindo várias opções pra garantir o controle da ilha. E utilizar as forças armadas é sempre uma opção à disposição do comandante em chefe.
Mas segundo o Wal Street Journal, o secretário de estado, Marco Rubio, procurou acalmar a situação. Numa reunião com parlamentares americanos, disse que as ameaças não significam que os Estados Unidos estejam planejando um ataque iminente ao território. E que a intenção é comprar a Groenlândia da Dinamarca.
Diante das ameaças de Donald Trump, líderes europeus saíram em defesa da soberania da Groenlândia e da Dinamarca.
As ameaças provocaram indignação na Dinamarca, que controla mais de 200 anos o território autônomo da Groenlândia. O governo da Groenlândia também reagiu: chegou a pedir mais respeito a Donald Trump. Mas a preocupação é de todo o continente europeu, por causa do risco de um rompimento nunca visto na OTAN.
A aliança militar do ocidente foi criada para enfrentar adversários externos e não para lidar com divergências entre países que fazem parte do grupo. O assunto acabou desviando o foco de uma reunião importantíssima na França, para tentar acabar com outro conflito - o da Ucrânia.
Um a um, o presidente da França, Emanuel Macron, recebeu os líderes da coalizão dos dispostos. Alemanha, Reino Unido, Itália, Dinamarca, Espanha, Polônia, Canadá, União Europeia. Também o secretário geral da Otan, Mark Rutte, e os representantes dos Estados Unidos, Steve Witkoff e Jared Kushner, que é genro de Trump.
Mas antes de tudo, os líderes publicaram uma declaração conjunta sore a Groenlândia. O documento reafirma a prioridade da segurança na região do Ártico, e destaca o papel da Dinamarca, incluindo a Groenlândia. Também lembra que Dinamarca e Estados Unidos, como membros da Otan, têm um compromisso de defender a soberania, a integridade territorial e a inviolabilidade das fronteiras dos aliados. E diz que a Groenlândia pertence a seu povo, e que apenas Dinamarca e a própria Groenlândia podem decidir assuntos relativos a eles.
O interesse de Donald Trump pela Groenlândia vem desde o primeiro mandato. E está ligado à posição do território entre o Ártico e o Atlântico Norte, em uma região onde o aquecimento global abre novas rotas de navegação, potencialmente mais curtas entre a Ásia e a Europa, um movimento que envolve também a China e a Rússia.
A ilha da Groenlândia ainda concentra grandes reservas de minerais, as terras raras necessárias para a fabricação de chips, além de petróleo e gás.
Uma disputa territorial entre países da Otan coloca em risco a aliança formada no fim da Segunda Guerra Mundial para evitar novos confrontos no ocidente.
A Otan tem hoje 32 membros. Uma cláusula do acordo, o artigo cinco, prevê que um ataque a um dos membros exige uma reação por parte de todos os demais. Mas uma agressão de um país da aliança contra o outro, o que até hoje nunca aconteceu, jogaria a organização em território não explorado.
De volta ao objetivo original da reunião, a coalizão dos dispostos quer transformar promessas genéricas para a Ucrânia em compromissos concretos, como um um monitoramento contínuo de um cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia e uma resposta, em várias frentes, a qualquer violação por parte da Rússia.
Reunidos em torno do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, os líderes e os representantes americanos concordaram com uma força multinacional formada principalmente por militares franceses e britânicos.
Os Estados Unidos participariam principalmente com apoio de inteligência e logística.
Europa reage às ameaças de Trump sobre Groenlândia
Reprodução/TV Globo