Alerj exonera mais de 200 funcionários e investiga suspeita de cargos fantasmas
06/01/2026
(Foto: Reprodução) Alerj exonera mais de 200 funcionários e investiga suspeita de cargos fantasmas
A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) exonerou mais de 200 funcionários em uma edição extraordinária do Diário Oficial publicada nesta terça-feira (6). A presidência da Casa suspeita que haja funcionários fantasmas entre os nomeados.
Entre os exonerados estão pessoas indicadas por políticos influentes do estado. Na Alerj, a antiguidade costuma garantir espaço e cargos para aliados, mesmo após o fim dos mandatos. Sérgio Cabral presidiu a Casa entre 1995 e 2003, e Paulo Melo, entre 2011 e 2015.
Até recentemente, nomes ligados aos dois ainda ocupavam funções importantes na Assembleia, até que nesta terça, 206 pessoas foram exoneradas.
O RJ2 apurou que, do total de exonerados, pelo menos 47 eram indicações de Paulo Melo, e 17 de Sérgio Cabral.
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O ex-governador Sérgio Cabral
Reprodução/TV Globo
Susana Neves Cabral, ex-mulher de Sérgio Cabral, estava na Alerj desde 2016. Ela foi exonerada nesta terça-feira.
As demissões são assinadas pelo presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delarolli (PL).
Marco Antonio Cabral, filho de Susana e Sérgio Cabral, estava nomeado desde 2023 em uma vaga no departamento de arquivo da Casa e também foi exonerado.
Dilson Avelino da Silva, conhecido como Magrinho, que trabalhou com Marco Antonio Cabral em Brasília quando ele era deputado federal, ocupava um cargo na assessoria da presidência da Assembleia e foi dispensado.
A demissão em massa foi o principal assunto do dia na Assembleia, mesmo durante o recesso.
Paulo Melo presidiu a Alerj entre 2011 e 2015
Reprodução/TV Globo
O Diário Oficial extraordinário ganhou o apelido de “caça-fantasmas”. A nova presidência da Casa suspeita que parte dos exonerados não cumpria expediente.
Aliados do ex-presidente Paulo Melo também aparecem na lista. O treinador de artes marciais Pedro Lukas, que aparece em vídeos com Melo, estava nomeado na presidência da Alerj.
Marcelo Ferreira Neves, outro ligado a Paulo Melo, também perdeu o cargo. Ele atuava como segurança do então presidente em 2014, quando criminosos tentaram invadir a fazenda do parlamentar e acabou baleado.
Após o episódio, foi nomeado para um cargo que atravessou diferentes gestões, até a exoneração desta terça-feira.
Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj)
Reprodução/TV Globo
O que dizem os envolvidos
Em nota, Paulo Melo afirmou que a demissão dessas pessoas é um direito legítimo de quem está no poder. Ele disse que Marcelo Neves e Pedro Lukas atuavam atualmente junto à deputada Franciane Mota, esposa de Paulo Melo, e destacou que os dois prestaram serviços relevantes.
Sobre os 47 indicados por ele e agora exonerados, o ex-deputado disse que eram colaboradores que deram continuidade ao trabalho desenvolvido.
O ex-governador Sérgio Cabral disse que deixou a presidência da Alerj em janeiro de 2003, para assumir o mandato de senador da República. "Desde então, não tenho qualquer ingerência sobre as decisões administrativas da Alerj".
Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj)
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